tradução de poesia

eis um blog dedicado à publicação de tradução de poesia. segundo augusto de campos, tradução é “‘uma forma de aprendizado, de crítica criativa e de conversa inteligente”. sejamos inteligentes, que é o que nos resta. eduardo farias

30

de
março

Across the bay

Pela baía

Uma coisa estranha sobre essas águas: inexistem

Pássaros por lá, ou quase não há.

Não sinto falta deles, nem me lembro

De sentir, ou achar que isso é um mistério.

A praia, por assim chamar-se, era um pedaço desnorteante de calcário.

Um alicerce violado por carcaças

Sentimos prazer nisso: aquele vazio, a dureza

Da luz, o silêncio, e a quietude da água.

Mas era uma cena para uma de nossas descrições de assassinato,

Isso dói e continua a doer

A venenosa água-viva mole, os recônditos,

Poderíamos suportar o mundo, se ele tivesse tal dureza.

Tradução: Eduardo Lima

Across the bay

A queer thing about those waters: there are no

Birds there, or hardly any.

I did not miss them, I do not remember

Missing them, or thinking it uncanny.

The beach so-called was a blinding splinter of limestone,

A quarry outraged by hulls.

We took pleasure in that: the emptiness, the hardness

Of the light, the silence, and the water’s stillness.

But this was the setting for one of out murderous scenes,

This hurt and goes on hurting:

The venomous soft jelly, the undersides.

We could stand the world if it were hard all over.

Donald Davie (1925-1995)

21

de
agosto

NOTES AFTER BLACKING OUT

NOTAS DEPOIS DE APAGAR

Senhora do mundo dos pernetas eu

Me recusei a ir além do meu auto-desaparecimento

Eu estou no leito do magro conhecendo minhas pernas

Mantidas comigo por uma aragem fresca

Inútil e não-inútil esse significado

Tudo tem resposta e não precisa saber a resposta

A poesia busca a resposta

O gozo está no processo de encontrar a resposta

A morte encontra a resposta

(A claridade baça na barriga da Iluminação

É o morto jogando sua resposta na sarjeta)

Rainha dos aleijados, os mais jovens não parecem mais

Ser necessários

E os velhos fazem segredo do seu Saber

Eles são a constante soma à grande

Mentira desautorizada

Ainda que o autor da Verdade seja em si mesmo nada

E ainda que eu torne vital esse nada

Que em si mesmo se destruirá

Nada existe.

O nada sempre esteve aí.

O nada é uma casa nunca adquirida

Nada aparece depois dessa piada mal-contada

Nada paira sobre nada em um nada de muitos nadas

Um rei de nada

Tradução: Eduardo Lima

NOTES AFTER BLACKING OUT

Lady of the legless world I have

Refused to go beyond my self-disappearance

I’m in the thin man’s bed knowing my legs

Kept to me by a cold fresh air

Useless and not-useless this meaning

All is answerable and need not know the answer

Poetry is seeking the answer

Joy is in knowing there is an answer

Death is knowing the answer

(The faint glow in the belly of Enlightment

Is the dead spouting their answers)

Queen of cripples the young no longer

Seem necessary

The old are secretive about their Know

They are constant additions to this big

Unauthorized lie

Yet Truth’s author itself is nothingness

And though I make it vital that nothingness

Itself will collapse

There is nothing.

Nothing ever was

Nothing is a house never bought

Nothing comes after this wildbright Joke

Nothing sits on nothing in a nothing of many nothings

A nothing king

Gregory Corso (1930-2001)

12

de
agosto

A Bird came down the Walk


 
Um Pássaro veio pela Estrada
 
 
Um Pássaro veio pela Estrada -- 
Ele não notou que eu via -- 
Partiu uma minhoca em duas
E a engoliu, viva
 
E para acompanhar, bebeu o Orvalho
Da Grama, ali por perto –
E saltou ao lado da Parede
Para abrir caminho para um Besouro –
 
Observou-o com olhinhos ligeiros
Que olhavam a tudo, gulosos – 
Pareciam-se com contas assustadas, eu achei –
Agitava a cabecinha de veludo
 
Como alguém em risco, Cauteloso
Cedi-lhe uma Migalha
E ele desenrolou as penas
Que docemente o levaram para casa —
 
Então Rugidos dividem o Oceano, 
Prateado demais para ser amarrado
Ou Borboletas, fora das Banquisas do Meio-Dia
Saltam, em silêncio enquanto nadam
 
Tradução: Eduardo Lima
 
A Bird came down the Walk
 
A Bird came down the Walk— 
He did not know I saw—
He bit an Angleworm in halves
And ate the fellow, raw,
 
And then he drank a Dew
From a convenient Grass—
And then hopped sidewise to the Wall
To let a Beetle pass—
 
He glanced with rapid eyes
That hurried all around—
They looked like frightened Beads, I thought—
He stirred his Velvet Head
 
Like one in danger, Cautious,
I offered him a Crumb
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home—
 
Than Oars divide the Ocean,
Too silver for a seam—
Or Butterflies, off Banks of Noon
Leap, plashless as they swim.

Emily Dickinson (1830w-1886)

26

de
julho

Populist manifest #1 (excerpt)

Manifesto populista nr 1 (trecho)

(1976)

Poetas, conheçam o mundo fora dos seus armários,

Abram janelas, abram portas,

Vocês andaram perdidos por muito tempo

Em seus mundinhos fechados.

Desçam, desçam

Saiam de seus Russian Hills e Telegraph Hills\

Seus Beacon Hills e seus Chapel Hills,

Seus Mount Analogues e Montparnasses,

Saia dos pés de morro e das montanhas,

Fora de seus domos e redomas.

As árvores ainda caem,

E nós não iremos mais para as matas.

Não temos mais tempo para nos sentar debaixo delas,

Enquanto a humanidade queima sua casa

Para preparar seu alimento.

Enquanto Roma arde

Paremos de recitar Hare Krishna.

San Francisco em chamas

A Moscou de Maiacóvski queima

Os combustíveis fósseis da vida..

A Noite e o Cavalo chegam perto

Engolindo luz, força e energia

E as nuvens ganham pernas.

Não temos mais tempo para o artista se esconder:

Acima, além, nos bastidores.

Indiferente, lixando as unhas

Limpando-se da existência.

Tradução: Eduardo Lima

Populist Manifest #1 (excerpt)

(1976)

Poets, come out of your closets,

Open your windows, open your doors,

You have been holed-up too long

In your closed worlds.

Come down, come down

From your Russian Hills, and Telegraph Hills

Your Beacon Hills, and your Chapel Hills,

Your Mount analogues and Montparnasses,

Drove from your foot hills and mountains,

Out of your tepees and domes.

The trees are still falling,

And we’ll to the woods no more.

No time for sitting in them,

As man burns down the house

To roast his pig.

No more chanting Hare Krishna

While Rome burns.

San Francisco’s burning

Mayakovsky’s Moscow’s burning

The fossil-fuels of life.

Night & the Horse approaches

Eating light, heat & power

And the clouds have trousers.

No time now for the artist to hide:

Above, beyond, behind the scenes.

Indifferent, paring his fingernails

Refining himself out of existence.

Laurence Ferlinghetti (1919)


Nomes de lugares nos arredores de San Francisco (NT)

Montparnasse é um bairro em Paris (NT)

20

de
julho

Buffalo Bill’s

Buffalo Bill
o seu corpo
               que saía 
               em seu garanhão alazão
                                              pedrês
e atirava em umdoistrêsquatrocinco pomboscomo
                                                          ninguém
ele era um belo homem
                               e o que quero saber
como você prefere o seu mocinho de olhosazuis
Dona Morte
Tradução: eduardo lima
Buffalo Bill 's

 
Buffalo Bill 's
defunct
               who used to
               ride a watersmooth-silver
               stallion
and break onetwothreefourfive pigeonsjustlikethat
                                                             Jesus
 
he was a handsome man
                               and what i want to know is
how do you like your blueeyed boy
Mister Death

e.e.cumings (1894-1963)

20

de
junho

Four poems for Robin

Quatro poemas para Robin
 
Programa de índio na floresta Siuslaw, Oregon
 
Adormeci debaixo dos     rododendros
A noite inteira    as flores caíram
Tremendo sobre         um pedaço de papelão
Os pés enfiados   na minha mochila
As mãos afundadas    nos meus bolsos
Quase incapaz de dormir.
Lembrei-me  de quando estávamos na escola
Dormindo juntos, numa cama grande e quente
Éramos os mais jovens dos amantes
Quando terminamos, só tínhamos dezenove anos 
Agora nossos amigos se casaram
Você leciona depois que voltou para o leste
Não me importo em viver desse jeito
Serras verdejantes, a praia grande e azulada
Mas às vezes   dormindo ao relento
Penso no passado    quando você era minha.
 
      Uma noite de primavera no templo zen de Shokoku-ji
 
Nesse mês de maio completa oito anos
Que andamos sob as cerejeiras em flor
À noite num horto no Oregon.
Tudo o que eu queria então
Era esquecer tudo, exceto você.
Aqui na noite
Num jardim da antiga capital
Sinto o fastasma bruxuleante de Yugao
Lembro de seu corpo fresco
Nu debaixo de uma camisola de verão.
 
    Uma manhã de outono no templo zen de Shokoku-ji
 
Na noite passada, passando a observar as Plêiades,
A respiração enfumaçando o luar,
Memórias amargas como o vômito
Rasgando na garganta.
Eu desenrolava um saco de dormir
Sobre os tatames do pórtico
Debaixo de espessas estrelas do outono.
Em sonhos você me surgiu
(Por três vezes em nove anos)
Irritada, fria e acusadora.
Despertei vexado e raivoso:
As inúteis guerras do coração.
Quase madrugada. Vênus e Júpiter.
Foi a primeiríssima vez
Em que os vi tão próximos.
 
           Dezembro em Yase
 
Naquele outubro, você disse, 
Na grama seca e alta no horto,
Quando você escolheu a liberdade, 
"De novo um dia desses, talvez dentro de dez anos."
 
Depois da faculdade, eu vi você
Uma vez. Você estava esquisita.
E eu, obcecado por um plano.
 
Agora, passados mais de
Dez anos: sempre  soube
         onde estava você-- 
Eu devia voltar correndo pra você
Esperando merecer seu amor de volta.
Você ainda está solteira.
 
Eu não fiz isso.
Achei que daria conta sozinho. Eu
Fiz assim.
 
Só em sonhos, como nesta madrugada,
A intensidade grave e dolorosa
De nosso amor da juventude
Volta à minha mente, à minha carne.
 
Tivemos tudo o que as demais pessoas
Todas buscam e querem;
Desistimos aos dezenove anos.
 
Sinto-me antigo, como se tivesse 
Vivido infinitas vidas.
E jamais saberia dizer
Se sou um bobão
Ou agi de acordo com as
        exigências do karma.

                Tradução: Eduardo Lima

 

Four Poems for Robin

 
Siwashing It Out Once in Suislaw Forest
 
I slept under     rhododendron
All night    blossoms fell
Shivering on    a sheet of cardboard
Feet stuck   in my pack
Hands deep    in my pockets
Barely  able    to   sleep.
I remembered    when we were in school
Sleeping together   in a big warm bed
We were     the youngest lovers
When we broke up     we were still nineteen
Now our   friends are married
You teach  school back east
I dont mind     living this way
Green hills   the long blue beach
But sometimes            sleeping in the open
I think back    when I had you.
 
      A Spring Night in Shokoku-ji
 
Eight years ago this May
We walked under cherry blossoms
At night in an orchard in Oregon.
All that I wanted then
Is forgotten now, but you.
Here in the night
In a garden of the old capital
I feel the trembling ghost of Yugao
I remember your cool body
Naked under a summer cotton dress.
 
    An Autumn Morning in Shokoku-ji
 
Last night watching the Pleiades,
Breath smoking in the moonlight,
Bitter memory like vomit
Choked my throat.
I unrolled a sleeping bag
On mats on the porch
Under thick autumn stars.
In dream you appeared
(Three times in nine years)
Wild, cold, and accusing.
I woke shamed and angry:
The pointless wars of the heart.
Almost dawn. Venus and Jupiter.
The first time I have
Ever seen them close.
 
           December at Yase
 
You said, that October, 
In the tall dry grass by the orchard 
When you chose to be free, 
"Again someday, maybe ten years."
 
After college I saw you
One time. You were strange.
And I was obsessed with a plan.
 
Now ten years and more have 
Gone by: I've always known
         where you were-- 
I might have gone to you
Hoping to win your love back.
You still are single.
 
I didn't.
I thought I must make it alone. I
Have done that.
 
Only in dream, like this dawn,
Does the grave, awed intensity
Of our young love
Return to my mind, to my flesh.
 
We had what the others
All crave and seek for;
We left it behind at nineteen.
 
I feel ancient, as though I had 
Lived many lives.
And may never now know
If I am a fool
Or have done what my 
        karma demands.

 

                        Gary Snyder (1930)

10

de
junho

A supermarket in California

UM SUPERMERCADO NA CALIFÓRNIA
Quais pensamentos tive sobre você, Walt Whitman, pois caminhei

por ruas obscuras por baixo das árvores com uma enxaqueca /

/semi-consciente, olhando

para a lua cheia.

Em minha fadiga faminta, e comprando imagens, eu entrei na loja

de frutas enfeitada de néon, sonhando com suas enumerações!

Que pêssegos e que penumbras! Famílias inteiras à noite às

compras! Corredores cheios de maridos! Esposas nos abacates, /

/filhos nos tomates!

–e você, García Lorca, o que fazia lá pelas melancias?

Eu vi você, Walt Whitman, sem filhos, o velho pária, escolhendo

entre as carnes na geladeira e de olho nos meninos do armazém.

Eu vi você perguntando pra eles: quem fez o porco em pedaços?

Qual o preço das bananas? És meu Anjo?

Eu vaguei ao redor de brilhantes pilhas de latas, te perseguindo,

e persegui em minha cabeça, bancando o detetive da loja. Nos cruzamos /

/por corredores em nossas andanças solitárias

saboreando alcachofras, experimentando cada delícia congelada, sem/

/jamais passar no

caixa.

Aonde vamos, Walt Whitman? As portas se fecham dentro de uma hora.

Para qual caminho sua barba aponta essa noite?

(Toco no teu livro, sonho com nossa odisséia no supermercado e me

sinto absurdo.)

Andaremos por toda a noite por ruas solitárias? As árvores juntam sombras

sobre sombras, luzes apagadas nas casas, ambos estaremos sozinhos.

Cruzar-nos-emos em sonhos com uma América apaixonada por automó-

veis azuis por estradas, lar de nossas silenciosas cabanas?

Ah, pai querido, barba grisalha, velho professor de coragem, qual América

possuía, quando Caronte desistiu de tocar a barcaça e você entrou

numa banquisa de fumaça e lá permaneceu observando a barcaça ser/

/engolida pelas águas negras do

Lete?

Tradução: Eduardo Lima

A SUPERMARKET IN CALIFORNIA

What thoughts I have of you tonight, Walt Whitman, for I walked

down the sidestreets under the trees with a headache self-conscious looking

at the full moon.

In my hungry fatigue, and shopping for images, I went into the neon

fruit supermarket, dreaming of your enumerations!

What peaches and what penumbras! Whole families shopping at

night! Aisles full of husbands! Wives in the avocados, babies in the tomatoes!

–and you, García Lorca, what were you doing down by the watermelons?

I saw you, Walt Whitman, childless, lonely old grubber, poking

among the meats in the refrigerator and eyeing the grocery boys.

I heard you asking questions of each: Who killed the pork chops?

What price bananas? Are you my Angel?

I wandered in and out of the brilliant stacks of cans following you,

and followed in my imagination by the store detective.

We strode down the open corridors together in our solitary fancy

tasting artichokes, possessing every frozen delicacy, and never passing the

cashier.

Where are we going, Walt Whitman? The doors close in a hour.

Which way does your beard point tonight?

(I touch your book and dream of our odyssey in the supermarket and

feel absurd.)

Will we walk all night through solitary streets? The trees add shade

to shade, lights out in the houses, we’ll both be lonely.

Will we stroll dreaming of the lost America of love past blue automo-

biles in driveways, home to our silent cottage?

Ah, dear father, graybeard, lonely old courage-teacher, what America

did you have when Charon quit poling his ferry and you got out on a

smoking bank and stood watching the boat disappear on the black waters of

Lethe?

Allen Ginsberg (1926-1997)

3

de
junho

When you return

Quando você voltar

 

As folhas caídas escalarão de volta as árvores.

Os cacos dos vasos quebrados subirão

pela mesa e serão remontados

Capas de chuva de plástico serão redobradas e voltarão

A suas embalagens. O ovo,

Com sua gema dissolvida, a clara transparente,

Também retornará para sua casca fina e de cálcio.

As blasfêmias ditas encherão de novo as bocas,

As cartas se desescreverão, as palavras

Voltarão sob a forma de tinta para as canetas. Minhas cãs

Escurecerão e serão como as penas de um cisne negro. As balas

Retomarão os seus tambores, a pólvora

Bem fechada em seu cartucho. As fronteiras

Desaperecerão dos mapas. A ferrugem

Se desfazerá em oxigênio e tempo. O fogo,

Ao tronco, o tronco à árvore,

A raiz original se enovelará

Na semente não espalhada.  O gorjeio dos pássaros

Voará de volta a seus pulmões, as respostas,

Perguntas serão novamente.

Quando você voltar, as blusas desmancharão

E a lã crescerá nas ovelhas.

A pedra voltará para a montanha, o ouro

Ao seu veio. Vinho para a vinha,

Azeite para o olival. Seda desenrolada

Para a barriga da aranha. Mariposas, noturnas.

Fechadas em seus casulos,Tinta retirada

Da tatuagem cor de indigo. Os diamantes

Voltarão a ser carvão, o carvão,

A ser samambaias podres, a chuva às nuvens. A luz

Ás estrelas, sugada até que se chegue

A um tempo sem tempo, da forma que eram

Antes de o mundo ser mundo. O nada absoluto e inicial,

Antes que as coisas se desfizessem.

 

                                                                                  Tradução: Eduardo Lima

 

 

When You Return

 

Fallen leaves will climb back into trees.

Shards of the shattered vase will rise

and reassemble on the table.

Plastic raincoats will refold

into their flat envelopes. The egg,

bald yolk and its transparent halo,

slide back in the thin, calcium shell.

Curses will pour back into mouths,

letters un-write themselves, words

siphoned up into the pen. My gray hair

will darken and become the feathers

of a black swan. Bullets will snap

back into their chambers, the powder

tamped tight in brass casings. Borders

will disappear from maps. Rust

revert to oxygen and time. The fire

return to the log, the log to the tree,

the white root curled up

in the un-split seed. Birdsong will fly

into the lark’s lungs, answers

become questions again.

When you return, sweaters will unravel

and wool grow on the sheep.

Rock will go home to mountain, gold

to vein. Wine crushed into the grape,

oil pressed into the olive. Silk reeled in

to the spider’s belly. Night moths

tucked close into cocoons, ink drained

from the indigo tattoo. Diamonds

will be returned to coal, coal

to rotting ferns, rain to clouds, light

to stars sucked back and back

into one timeless point, the way it was

before the world was born,

that fresh, that whole, nothing

broken, nothing torn apart.

 

 

Ellen Bass (1945)

30

de
maio

Knowledge

 

Entendimento

Agora que entendo

Como a paixão nada aquece,

A carne quase se esquece,

E os tesouros se quebram, desvendo, –

 

Me sento aqui e aprendo

Como, esparramadas pela relva,

As árvores fazem uma longa treva

E um som tão baixo que só vendo.

 

Tradução: Eduardo Lima

 

Knowledge

Now that I know

How passion warms little

Of flesh in the mould,

And treasure is brittle, –

 

I’ll lie here and learn

How, over their ground,

Trees make a long shadow

And a light sound.

 

Louise Bogan (1897-1970)

 

 

 

 

22

de
maio

A Love Song

Uma canção de amor
 
O que lhe dizer
Quando nos conhecermos?
Ainda assim—
Me sento aqui pensando em você.
 
A resina do amor
Está acima do mundo
Amarelo, amarelo, amarelo,
Ela destrói as folhas
Reage com o açafrão
Os galhos córneos que repousam
Pesadamente
Contra um suave céu púrpura.
 
Não há luz—
Somente uma resina com a textura do mel
Que pinga de folha em folha
E de membro em membro
Desfazendo as cores
De todo o mundo.
 
Estou só. 
O peso do amor
Me anima
Até que minha cabeça
Bata contra o céu.
 
Me veja!
Do meu cabelo pinga o néctar—
Estorninhos o carregam
Sobre suas asinhas negras.
Veja, enfim 
Meus braços e mãos
Se desprendem.
 
Como dizer
Se eu amarei você de novo
Como amo agora?

 

Tradução: Eduardo Lima

 

A Love Song
 
What have I to say to you
When we shall meet?
Yet—
I lie here thinking of you.
 
The stain of love
Is upon the world.
Yellow, yellow, yellow,
It eats into the leaves,
Smears with saffron
The horned branches that lean
Heavily
Against a smooth purple sky.
 
There is no light—
Only a honey-thick stain
That drips from leaf to leaf
And limb to limb
Spoiling the colours
Of the whole world.
 
I am alone.
The weight of love
Has buoyed me up
Till my head
Knocks against the sky.
 
See me!
My hair is dripping with nectar—
Starlings carry it
On their black wings.
See, at last
My arms and my hands
Are lying idle.
 
How can I tell
If I shall ever love you again
As I do now?

 

William Carlos Williams (1883-1963)

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